Quinze anos

Minha filha completará 15 anos de vida no dia primeiro de janeiro de 2009. Estamos em contagem regressiva. Será uma cerimônia íntima na praia ao por do sol do dia 31 de dezembro de 2008. Somente eu, meu marido e a irmã dela, 12 anos, estaremos presentes.

Este acontecimento iminente e emocionante toma várias horas do meu pensamento diário. Porém, nestes últimos dias não consigo parar de pensar também na menina Eloá, vítima de crime hediondo recente. Ela tinha somente 15 anos. O assunto foi abordado em quase todos os canais da TV aberta. Muitas coisas e particularidades sobre a menina vêm à tona. Começou a namorar Lindemberg, seu assassino, quando tinha somente 12 e ele 17 anos. Adorava Orkut e tirar fotos. Estava no auge de sua beleza e juventude, mas sem maturidade para namorar.

Eu converso muito com a minha filha. Ela me ouve e procura não fazer nada que eu não concorde. Temos uma relação de respeito e amizade. Ela quer a minha opinião sobre roupa, cabelo e sapato e fica chateada quando digo pra ela decidir. Eu acho isso lindo. Ela é doce, meiga e me emociona muitas vezes durante o dia. Fala dos acontecimentos na escola e na igreja e cada coisa que ela conta dá para escrever um livro muito divertido. Ela não quer “ficar” ou namorar. Agora. Diz que não saberia como agir numa situação de ciúmes, falta de atenção, falta de compreensão por parte dela e do menino. Uma coisa que ela quer é ser amiga de alguém que gosta, para conhecer melhor e depois de um bom tempo de amizade, decidir se podem iniciar o namoro que seria a continuidade dessa amizade.

Mas agora com toda a cobertura da tragédia de Eloá pela mídia, não consigo parar de pensar que se fosse minha filha, eu faria alguma coisa para evitar o crime. No primeiro dia de seqüestro os canais de TV exibiam o local do cativeiro e eu fiquei planejando. Quem sabe dar alguma bebida com sonífero para o seqüestrador. Naquela hora em que a menina pediu comida e foi dada uma marmita poderiam ter pensando em alguma coisa semelhante.

Eu não sou especialista em táticas policiais. E não quero condenar a ação da polícia. Mas julgo necessária uma revisão das leis quanto ao que a polícia pode fazer em momentos como esse. Em todo o Estado de São Paulo, acontecem inúmeros seqüestros por dia. Infelizmente nem todos têm um final agradável.

Da tragédia vivida pela família da menina Eloá, ainda se visualiza uma esperança. A família, apesar de toda a dor, autorizou a doação dos órgãos da menina. Igualmente admirável e notável foi a demonstração de amizade em momentos difíceis. Nayara amiga de Eloá, mesmo após ter sido libertada do cativeiro, preferiu voltar e ficar ao lado da amiga. O que quase lhe custou à vida.

Os quinze anos da menina Eloá foram tudo que ela deu à família. Os doces momentos que ela lhes deu ficarão na memória. A certeza de que jamais serão repetidos e outros novos nunca acontecerão é dolorida. Felizes são aqueles que saíram das filas de espera de doação de órgãos. De presente receberam um coração jovem, córneas que trarão luz a seus olhos opacos, rins saudáveis que acabarão com o sofrimento da hemodiálise e entre outros, pulmões cheios de vida. Deixo minhas orações, meus bons sentimentos e a esperança de dias melhores, com a família da menina.

Contudo, aprender com os erros dos outros é sábio. Aos pais é dada uma lição a ser aprendida e praticada em toda essa história. É preciso conversar com os filhos. Mas também ouví-los. Impor limites com fundamentos. Ensinar que a liberdade existe depois da ordem. Dizer não e explicar a razão. Ser radical não funciona. O meio termo, um acordo com exigências a serem cumpridas, sim. Ajuda a criança a entender o motivo de não se deixar fazer o que ela quer na hora em que ela quer. Conscientizar de que a televisão não educa. A ninguém, adulto ou criança. Na TV, menina que namora antes dos quinze anos, não é assassinada pelo namorado. Pelo contrário. O namorado sapo no começo pode se tornar um príncipe no final feliz.

Atitudes como estas ajudam a evitar situações desagradáveis. Faz a alegria dos 15 anos, ser revivida.

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